Esta é uma pergunta que recebo com freqüência no meu site. Junto à pergunta seguem relatos de tratamentos que duram quatro, cinco ou mesmo oito anos. Isso mesmo. Algumas pessoas chegam a ficar oito anos em tratamento. Mas será que isso é normal?
Não, é claro que não é normal. Um tratamento ortodôntico dura em média dois anos. No máximo três anos em situações mais complexas. Mas por que então que o tratamento desta ou daquela pessoa durou tanto tempo. Ou pior, por que mesmo com esta duração o tratamento não ficou bom?
Acho que a resposta gira em torno de duas teses; A primeira relacionada à incompetência técnica e científica do profissional (veja que não estou chamando o profissional de ortodontista, pois muitos nem o são). A segunda por razões econômicas.
A Ortodontia é uma especialidade extremamente complexa da Odontologia. Para se tornar um ortodontista o dentista precisa cursar uma pós-graduação. Ocorre que nem todas as pós-graduações formam bem os ortodontistas e a grande maioria sai dos cursos sem saber diagnosticar e planejar um caso.
Diagnóstico e planejamento são as etapas mais difíceis de um tratamento. Para realizá-los são necessários conhecimentos muito profundos sobre a anatomia e o crescimento dento-crânio-maxilar, sobre histologia, sobre física e sobre as centenas de técnicas ortodônticas. Sem este conhecimento o profissional não saberá resolver seus casos e será um mero colador de brackets. Afinal, qualquer pessoa minimamente treinada (nem precisa ser dentista) consegue colar as peças do aparelho nos dentes. Mas diagnosticar os problemas, estabelecer um planejamento para solucioná-los e executar o planejamento dentro do prazo estimado, não é para qualquer um. É necessário ser um VERDADEIRO ortodontista.
Portanto, o que podemos concluir sobre a primeira tese é que existem muitos ortodontistas por aí mal capacitados, que se perdem durante o tratamento e acabam tendo sérios problemas com seus pacientes (processos legais inclusive). Geralmente esses ortodontistas cobram bem mais barato do que o usual, o que acaba desvalorizando também a própria Ortodontia.
A segunda tese gira exatamente sobre esta questão econômica. Muitos ortodontistas têm como rotina cobrar uma manutenção de seus pacientes. Esta manutenção é mensal. Assim, quanto mais longo for o tratamento, mais manutenções o paciente paga e mais o ortodontista lucra. Muitos ortodontistas atualmente não cobram um valor inicial, e quando o fazem, este valor é baixo. Para compensar, “enrolam” os pacientes pelo maior tempo possível para realizar seu lucro….
Não estamos aqui condenando o pagamento de manutenções. Pelo contrário, trata-se de uma rotina saudável quando bem utilizada. Mas é fundamental que o paciente saiba desde o início quanto tempo durará o seu tratamento. Um tratamento previsto para dois anos DEVE durar dois anos. Havendo atrasos, deverá haver acordo entre o paciente e seu ortodontista para saber se haverá também mais manutenções. Sim, atrasos ocorrem e algumas vezes a culpa é do paciente.
Alguns ortodontistas preferem, para evitar qualquer aborrecimento com seus pacientes, cobrar um valor fixo total para o tratamento. Se o ortodontista for bom e habilidoso, terminará antes e receberá igual. Se o ortodontista for mais lento trabalhará mais pelo mesmo custo.
Bem, é claro que o que escrevemos neste breve artigo pode não se aplicar aos casos X, Y ou Z. Mas acreditamos que podemos alertar o público de que a ortodontia não é brincadeira e que conseqüências graves podem ser o resultado de um tratamento realizado por um profissional mal treinado.
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