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Artigos Gustavo Bastos em 13 Jul 2010

Qualidade da Ortodontia Brasileira

Até recentemente, existiam no Brasil poucos cursos de especialização ou mestrado em Ortodontia. Naturalmente, a quantidade de ortodontistas era pequena, causando uma demanda maior do que a oferta. Os tratamentos ortodônticos eram, em geral, mais caros.

Nos últimos anos, centenas de instituições passaram a oferecer treinamento ortodôntico aos dentistas. Em função da inexistência de normas de qualidade rígidas, alguns desses cursos passaram a formar “especialistas” em ortodontia sem o mínimo de preparo para exercer tão importante e difícil especialidade.

Apenas para ilustrar, a carga horária de um curso de Ortodontia na Europa e nos EUA é, em média, de 3.600 horas. No Brasil, são exigidas apenas 1.000 horas e são poucos os cursos que cumprem uma carga horária maior que esta.

O resultado disso é que muitos “ortodontistas” exercem a Ortodontia sem conhecê-la plenamente. Infelizmente este não é o retrato apenas da Ortodontia. E quem sempre perde: o paciente.

Não é a toa que vemos por aí gente oferecendo “alinhamento” de dente por uma ninharia. Não é a toa que passamos a ouvir que os tratamentos avançam por até seis, sete anos. Isto é um absurdo! E os problemas causados por uma Ortodontia mal realizada?? Quem nunca ouviu uma história dessas?

Acredito que a Ortodontia pode ser acessível e também muito bem executada. O que me deixa triste é perceber que uma quantidade enorme de pessoas está se submetendo a tratamentos inadequados e de baixa qualidade.

Existem, entretanto, algumas iniciativas que visam melhorar esta situação. O Bord Brasileiro de Ortodontia é uma dessas iniciativas, e como diplomado desta instituição, recomendo a vista ao site!

Vamos continuar nos esforçando também em responder às perguntas que chegam ao Blog.

Um abraço,

Gustavo Bastos

Artigos Gustavo Bastos em 12 Mai 2008

Mini-implantes ortodônticos

Na história da Ortodontia podemos pinçar alguns fatos que mudaram a maneira como os Ortodontistas trabalham. A introdução das radiografias, a colagem dos brackets, a utilização das ligas super-elásticas e o advento das peças estéticas são apenas alguns. Mais recentemente podemos concentrar nossa atenção em três novidades: Invisalign, mini-implantes e tomografia computadorizada. Não há congresso ou curso onde esses temas não sejam amplamente debatidos. Vamos falar agora dos mini-implantes.

orlus main2 - orlus main2

Na Ortodontia, o movimento do dente acontece em razão da aplicação de força. Quando uma força é aplicada a um dente, este se move. Ocorre que, de acordo com a terceira Lei de Newton, para toda ação, existe uma reação, ou seja, se aplicamos 100g de força a um dente utilizando outro como apoio, este outro também sofrerá a ação de 100g de força.

Durante um tratamento ortodôntico realizamos centenas de pequenos movimentos. Um ortodontista capacitado e conhecedor dos princípios de física mecânica, saberá controlar os movimentos desejados e indesejados utilizando um princípio ortodôntico conhecido como ancoragem, que consiste basicamente em utilizar um grupo de dentes como apoio para movimentar um dente ou um menor grupo de dentes, fazendo com que as reações às aplicações de força sejam minimizadas.
Até recentemente existiam poucas alternativas para apoio que não fosse os próprios dentes. Uma delas é o aparelho extra-oral, conhecido como “freio de burro”. Nem sempre o paciente aceita esta alternativa.

Os mini-implantes aparecem então como uma excelente alternativa temporária de ancoragem / apoio. Esses são rosqueados sem qualquer incomodo na maxila ou mandíbula do paciente e podem ser utilizados como apoio, facilitando e agilizando o trabalho do ortodontista. Por serem temporários, não se integram aos ossos, como é o caso dos implantes dentários, e podem ser substituídos ou removidos a qualquer momento sem nenhum desconforto.

Apesar de serem transitórios e absolutamente confortáveis, percebo ao conversar com meus pacientes e outros colegas dentistas que a maioria das pessoas não aceita muito bem a idéia de instalá-los. Isto deve ocorrer provavelmente por uma questão semântica, uma vez que a palavra mini-implante é associada pelos leigos ao implante dentário convencional que é extremamente mais complexo.

Nas fotos abaixo é possível observar o implante colocado e como ele é utilizado pelo ortodontista como apoio.

mini2 - mini2

Artigos Gustavo Bastos em 10 Abr 2008

Qual a duração de um tratamento ortodôntico?

Esta é uma pergunta que recebo com freqüência no meu site. Junto à pergunta seguem relatos de tratamentos que duram quatro, cinco ou mesmo oito anos. Isso mesmo. Algumas pessoas chegam a ficar oito anos em tratamento. Mas será que isso é normal?

Não, é claro que não é normal. Um tratamento ortodôntico dura em média dois anos. No máximo três anos em situações mais complexas. Mas por que então que o tratamento desta ou daquela pessoa durou tanto tempo. Ou pior, por que mesmo com esta duração o tratamento não ficou bom?

Acho que a resposta gira em torno de duas teses; A primeira relacionada à incompetência técnica e científica do profissional (veja que não estou chamando o profissional de ortodontista, pois muitos nem o são). A segunda por razões econômicas.

A Ortodontia é uma especialidade extremamente complexa da Odontologia. Para se tornar um ortodontista o dentista precisa cursar uma pós-graduação. Ocorre que nem todas as pós-graduações formam bem os ortodontistas e a grande maioria sai dos cursos sem saber diagnosticar e planejar um caso.

Diagnóstico e planejamento são as etapas mais difíceis de um tratamento. Para realizá-los são necessários conhecimentos muito profundos sobre a anatomia e o crescimento dento-crânio-maxilar, sobre histologia, sobre física e sobre as centenas de técnicas ortodônticas. Sem este conhecimento o profissional não saberá resolver seus casos e será um mero colador de brackets. Afinal, qualquer pessoa minimamente treinada (nem precisa ser dentista) consegue colar as peças do aparelho nos dentes. Mas diagnosticar os problemas, estabelecer um planejamento para solucioná-los e executar o planejamento dentro do prazo estimado, não é para qualquer um. É necessário ser um VERDADEIRO ortodontista.

Portanto, o que podemos concluir sobre a primeira tese é que existem muitos ortodontistas por aí mal capacitados, que se perdem durante o tratamento e acabam tendo sérios problemas com seus pacientes (processos legais inclusive). Geralmente esses ortodontistas cobram bem mais barato do que o usual, o que acaba desvalorizando também a própria Ortodontia.

A segunda tese gira exatamente sobre esta questão econômica. Muitos ortodontistas têm como rotina cobrar uma manutenção de seus pacientes. Esta manutenção é mensal. Assim, quanto mais longo for o tratamento, mais manutenções o paciente paga e mais o ortodontista lucra. Muitos ortodontistas atualmente não cobram um valor inicial, e quando o fazem, este valor é baixo. Para compensar, “enrolam” os pacientes pelo maior tempo possível para realizar seu lucro….

Não estamos aqui condenando o pagamento de manutenções. Pelo contrário, trata-se de uma rotina saudável quando bem utilizada. Mas é fundamental que o paciente saiba desde o início quanto tempo durará o seu tratamento. Um tratamento previsto para dois anos DEVE durar dois anos. Havendo atrasos, deverá haver acordo entre o paciente e seu ortodontista para saber se haverá também mais manutenções. Sim, atrasos ocorrem e algumas vezes a culpa é do paciente.

Alguns ortodontistas preferem, para evitar qualquer aborrecimento com seus pacientes, cobrar um valor fixo total para o tratamento. Se o ortodontista for bom e habilidoso, terminará antes e receberá igual. Se o ortodontista for mais lento trabalhará mais pelo mesmo custo.

Bem, é claro que o que escrevemos neste breve artigo pode não se aplicar aos casos X, Y ou Z. Mas acreditamos que podemos alertar o público de que a ortodontia não é brincadeira e que conseqüências graves podem ser o resultado de um tratamento realizado por um profissional mal treinado.




Artigos Gustavo Bastos em 01 Ago 2007

Por que se extrai dentes?

Esta é uma pergunta que se ouve diariamente no consultório. E a resposta pode ser resumida basicamente em três motivos:

1 - Por que há falta de espaço para alinhar todos os dentes sobre os ossos maxilares;
2 - Para melhorar a estética facial;
3 - Ambos os motivos acima

Para estabelecer se há ou não falta de espaço, o ortodontista mede o tamanho dos dentes permanentes do paciente e estabelece o espaço requerido para alinhá-los. Em seguida, mede o espaço presente, ou seja, o comprimento existente sobre os ossos maxilares (a mandíbula é utilizada como referencia neste caso). Da subtração entre o espaço requerido e presente, chega-se a conclusão se sobrará espaço, se o espaço é justo, ou se há falta de espaço. Veja nas fotos um exemplo de falta de espaço solucionado com extração.

exo1 - exo1

Com relação às possibilidades de aprimoramento estético, o ortodontista realiza uma análise extensa e criteriosa da face do paciente e decide se o paciente se beneficiaria ou não de extrações e quais dentes deveriam ser extraídos. Observe nas fotos o resultados estético obtido em outro paciente.

pedrolemos - pedrolemos

A decisão de extração é motivo de muita angústia por parte dos pacientes. Entretanto, essas devem ser consideradas com bastante tranqüilidade, pois podem representar uma excelente alternativa para atingir resultados estéticos e funcionais primorosos.

Artigos Gustavo Bastos em 24 Jul 2007

Por que algumas pessoas têm sisos e outras não?

Os terceiros molares, também conhecidos como sisos, são dentes polêmicos. Não existe um paciente que não tenha perguntado em algum momento ao seu dentista sobre os sisos e sobre sua possível extração. Muitas vezes acabam mesmo sendo extraídos. Acho que raros são aqueles que nascem e se posicionam corretamente sem nunca terem causado qualquer problema.

Quem não tem os sisos se considera com sorte, pois terá uma preocupação a menos em sua vida. Mas por que isto ocorre?

Algumas pessoas acreditam que a raça humana está em evolução e que com o tempo os sisos sumirão, pois são dentes que não são usados. Idéias como essas quando repetidas seguidamente por inúmeras pessoas acabam se tornando verdades. Eu particularmente não concordo.

Acho que esta idéia é muito simplória e não está de acordo com algumas regras de evolução de Charles Darwin.

Vocês se lembram das mariposas da Inglaterra? Antes da Revolução Industrial predominavam as mariposas claras, pois essas tinham cor semelhante aos troncos das árvores e acabavam se confundindo com elas. Já as mariposas escuras, pousadas sobre os troncos claros, eram facilmente identificadas e comidas por pássaros e outros animais. Com o tempo, a poluição foi aumentando e a fuligem sendo depositada sobre os troncos das árvores fez com que elas escurecessem. As mariposas escuras passaram a se confundir melhor com os troncos e as mais claras passaram a fazer parte do cardápio de vários animais que passaram a identificá-las melhor. Como passaram a sobreviver mais, as mariposas escuras geraram mais descendentes e seu número ultrapassou o das mariposas claras: Seleção natural!

Existem centenas de outros exemplos que descrevem a seleção natural de espécies e a Teoria da Evolução de Darwin. Clique aqui para ler mais.

Minha pergunta é: “Os indivíduos que possuem sisos levam alguma desvantagem, que os impeçam de gerar descentes, a ponto de sofrerem seleção natural?”. Se levarem desvantagem, então terão menos chances de transmitir seus genes com a informação de ter sisos? A resposta obviamente é não. Pessoas que têm problemas nos sisos podem removê-los e assim resolvem o problema de sisos, mas não removem a informação genética que possuem e que será transmitida aos seus descendentes. ( Já é sabido inclusive quais genes estão relacionados à ausência congênita de dentes)

Se existisse esta relação de desuso com desaparecimento, outras estruturas do nosso corpo já teriam desaparecido, como é o caso do apêndice intestinal, uma extensão do intestino grosso sem função conhecida, e que não desapareceu, mesmo não desempenhando função alguma no nosso corpo.

Devemos ter cuidado com as coisas que repetimos. Existem vários outros exemplos semelhantes em que a freqüência com que as idéias são transmitidas acabam por validá-las, sem termos o cuidado de pensar se são corretas ou não.